Coração artificial brasileiro espera aprovação do governo para ser usado em pacientes

Coração artificial brasileiro espera aprovação do governo para ser usado em pacientes

07/04/2011 - 10h32
Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia aguarda o aval do Ministério da Saúde para implantar o primeiro coração artificial brasileiro em pacientes. O aparelho foi desenvolvido ao longo de dez anos, com bezerros como cobaias.

O modelo nacional não substitui o coração natural, mas funciona como órgão auxiliar. Por isso, Segundo o coordenador do Centro de Engenharia do instituto, Aron José Pazin de Andrade, “a cirurgia de implantação é mais simples, uma vez que não tem que tirar o coração do paciente. E a adaptação do paciente ao aparelho é mais fácil, porque o controle da frequência cardíaca do artificial é mais fácil”.

Como toda a pesquisa foi financiada por órgãos públicos, o coração artificial brasileiro deverá custar apenas um quinto dos equivalentes fabricados no exterior, variando entre US$ 30 mil e US$ 60 mil.

O aparelho permite aumentar o bem-estar e dar uma sobrevida aos paciente. “Toda a carga de bombeamento é o artificial que faz. O natural bombeia para dentro do artificial e o artificial bombeia para fora”, detalha Andrade.

Apesar do incômodo causado aos pacientes pela parte do órgão que fica fora do corpo, ele garante que o equipamento trará uma melhora significativa na qualidade vida dos pacientes. Uma caixa um pouco maior que um maço de cigarros contendo a bateria do coração fica sobre a pele do usuário. “Lógico que não vai ter uma vida normal, porque tem o aparelho pendurado, mas vai ter uma condição de sobrevida muito melhor enquanto espera o transplante”.

Assim que for aprovado pelo ministério, o coração artificial deverá passar a ser implantado gratuitamente nos pacientes do Dante Pazzanese. De acordo com Andrade, a expectativa é que em seguida o procedimento possa ser realizado também na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

O desenvolvimento do coração artificial foi financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e pelo Ministério da Saúde.

Edição: Talita Cavalcante
Agência Brasil

 

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